- Taxa base (set. 2026)
- Até 2,50% — média da Euribor a 3 meses
- Prémio de permanência
- +0,25 a +1,75 pontos percentuais
- Juros
- Trimestrais, capitalizados (líquidos de IRS)
- Subscrição mínima
- 100 € (Série F, 1.ª subscrição)
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Os certificados de aforro voltaram a estar no centro das atenções: em setembro de 2026, a taxa base da Série F atinge o máximo permitido de 2,50%, puxada pela subida da Euribor a 3 meses — e os portugueses bateram novo recorde de subscrições em julho, com mais 767,6 milhões de euros aplicados num único mês. Este guia explica o que são, quanto rendem, como subscrever e quando compensa escolhê-los face a depósitos a prazo ou certificados do tesouro.
O que são os certificados de aforro?
Os certificados de aforro são títulos de dívida pública portuguesa emitidos pelo IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), com garantia total do Estado português. São, por isso, considerados um dos investimentos mais seguros disponíveis em Portugal — ao lado dos depósitos a prazo garantidos até 100.000 €.
São subscritos exclusivamente por pessoas singulares (não há subscrição por empresas) e funcionam como uma conta de poupança: investe um valor inicial, os juros vencem ao longo do tempo e pode resgatar quando precisar, sem comissões. Se ainda não tem o hábito de poupar, vale a pena começar por criar um orçamento mensal e definir quanto consegue reservar todos os meses.
Atualmente, as novas subscrições são feitas na Série F, que substituiu as séries anteriores (a Série E deixou de aceitar novos subscritores). Cada unidade vale 1 €.
Série F: como funciona a remuneração
A taxa de juro da Série F é composta por duas partes:
1. Taxa base — calculada mensalmente a partir da média da Euribor a 3 meses (observada nos 10 dias úteis anteriores ao antepenúltimo dia útil do mês), arredondada à terceira casa decimal. Tem um teto de 2,50% e um piso de 0%. Em agosto de 2026 fixou-se em 2,474%; em setembro atinge o teto: 2,50%.
2. Prémio de permanência — um prémio que cresce com o tempo que mantém o dinheiro investido:
| Período | Prémio de permanência | Taxa total (com base a 2,50%) |
|---|---|---|
| 1.º ano | +0,00 pp | 2,50% |
| 2.º ao 5.º ano | +0,25 pp | 2,75% |
| 6.º ao 9.º ano | +0,50 pp | 3,00% |
| 10.º e 11.º ano | +1,00 pp | 3,50% |
| 12.º e 13.º ano | +1,50 pp | 4,00% |
| 14.º e 15.º ano | +1,75 pp | 4,25% |
Os juros vencem trimestralmente (no dia do mês igual ao da data-valor da subscrição) e são capitalizados automaticamente, já líquidos de IRS — o que significa que os juros passam a render juros, num efeito de juros compostos. O prazo da subscrição é de 15 anos, com possibilidade de resgate antecipado.
Exemplo de cálculo — 10.000 € em certificados de aforro (Série F):
Com a taxa base no máximo de 2,50% e mantendo o investimento um ano:
- Juros brutos no 1.º ano: 250 € (10.000 € × 2,50%)
- Juros líquidos (após IRS de 28%): 180 € — capitalizados trimestralmente
- Do 2.º ao 5.º ano, com o prémio de permanência, a taxa sobe para 2,75%
- No 10.º-11.º ano rende 3,50%; no 14.º-15.º ano chega a 4,25%
Valores a título de exemplo: a taxa base varia todos os meses com a Euribor a 3 meses (entre 0% e 2,50%).
Como subscrever certificados de aforro
A subscrição é feita online, no AforroNet (a plataforma do IGCP), ou presencialmente nos balcões dos CTT e em Espaços do Cidadão autorizados. Passo a passo:
Passo 1: Crie a conta aforro
Aceda ao AforroNet (aforronet.igcp.pt) e crie a sua conta aforro. Vai precisar do número de identificação fiscal (NIF), de um e-mail válido e de dados bancários. O IBAN é obrigatório — é para lá que são creditados os juros e o reembolso.
Passo 2: Faça a primeira subscrição (mínimo 100 €)
A primeira subscrição na Série F exige um mínimo de 100 unidades (100 €). Cada unidade vale 1 €. Nas requisições seguintes, o mínimo é de 10 unidades (10 €). O limite máximo por conta é de 250.000 € na Série F (500.000 € acumulando Série F e Série E).
Passo 3: Acompanhe os juros trimestrais
Os juros vencem trimestralmente e são capitalizados automaticamente (líquidos de IRS). Pode acompanhar a evolução da conta no AforroNet a qualquer momento — o extrato mostra o valor investido, os juros vencidos e a taxa em vigor.
Passo 4: Resgate quando precisar
Pode resgatar total ou parcialmente a partir do primeiro vencimento de juros (cerca de 3 meses após a subscrição). O valor é creditado no IBAN até ao 7.º dia após a instrução. Não há comissões nem penalizações pelo resgate antecipado.
Impostos: quanto paga de IRS
Os juros dos certificados de aforro são rendimentos de capitais sujeitos a IRS à taxa liberatória de 28%. Os juros são capitalizados já líquidos de IRS, ou seja, não precisa de fazer nada — o imposto é retido na fonte.
Pode ainda optar pelo englobamento dos rendimentos no IRS anual se isso for mais favorável à sua taxa efetiva (por exemplo, se o seu escalão de IRS for inferior a 28%).
Certificados de aforro vs depósitos a prazo vs certificados do tesouro
Certificados de Aforro (Série F)
- Garantia do Estado português (100%)
- Taxa variável: média Euribor 3M, teto 2,50% + prémio de permanência até +1,75 pp
- Juros trimestrais, capitalizados
- Prazo 15 anos; resgate após ~3 meses, sem custos
- Mínimo 100 €; máximo 250.000 €
Depósitos a prazo
- Garantia do Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 €
- Taxa fixa, entre ~1,5% e ~3% TANB (promoções pontuais mais altas)
- Juros normalmente no vencimento ou anuais
- Prazos curtos (3-12 meses típicos)
- Mínimos variáveis; resgate antecipado pode perder juros
Certificados do Tesouro (CT)
- Garantia do Estado português (100%)
- Prazo fixo (5, 8 ou 10 anos): componente fixa + prémios
- Juros anuais
- Resgate antecipado com perda parcial de juros (depende da série)
- Subscrição mínima 100 € (1.000 € em algumas séries)
Checklist: vale a pena subscrever?
- Procuro um investimento de risco mínimo com garantia do Estado português — os certificados de aforro estão no topo da segurança
- Quero liquidez sem penalizações o resgate é livre a partir do 1.º vencimento trimestral de juros, sem comissões
- Aceito taxa variável a remuneração acompanha a Euribor a 3 meses, com teto de 2,50% e piso de 0%
- Tenho horizonte de 2+ anos o prémio de permanência começa a somar-se ao fim do 1.º ano e cresce até +1,75 pp
- Já tenho fundo de emergência se ainda não tem, construa primeiro um fundo de emergência com 3-6 meses de despesas
- Comparei com o meu crédito habitação se a taxa do empréstimo é superior ao que os certificados rendem, amortizar pode ser melhor estratégia
Conclusão
Os certificados de aforro continuam a ser uma das opções mais seguras e líquidas da poupança em Portugal. Com a taxa base no máximo de 2,50% em setembro de 2026 e prémios de permanência que elevam a remuneração total até 4,25%, voltaram a bater recordes de subscrição — mais de 767 milhões de euros só em julho. São particularmente adequados para quem quer uma almofada de segurança, poupança para a entrada de uma casa ou diversificação face aos depósitos a prazo.
Se está a poupar para comprar casa, os certificados de aforro podem ser o ponto de partida — mas a decisão de quando e como usar essa poupança (entrada, amortização ou manutenção) depende do seu perfil e das taxas em vigor. Para comparar com outras alternativas de poupança, veja também o que mudou nos certificados do tesouro e como preparar a reforma financeiramente.
Fontes:
- IGCP, Condições de Subscrição de Certificados de Aforro, Série F (aforronet.igcp.pt, consultado a 24/08/2026)
- ECO, Remuneração dos Certificados de Aforro voltam a subir. Taxa base fixa-se em 2,474% para agosto, 28/07/2026
- Expresso / ECO / Pplware, Certificados de Aforro: taxa base atinge o máximo em setembro, 24/08/2026
- Público, Certificados de Aforro: taxa de juro atinge o teto máximo de 2,5% em setembro, 26/08/2026
- Lusa / Diário de Notícias, Investimento em certificados de aforro sobe 15% e volta a atingir recorde em julho, 20/08/2026
- Observador, Novos certificados do tesouro desiludem na estreia, 24/08/2026
- Imagem: “Balancing The Account” por kenteegardin, CC BY-SA 2.0, via Flickr
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